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Maternar é um ato político

Hoje estive com mulheres potentes e resistentes. Elas me trouxeram força, emoção e reflexão.

Quando estava de licença maternidade, há 3 anos, eu sentia que havia perdido meu brilho terapêutico.

Trabalho com teoria, técnica, evidência: ciência. Mas a relação terapêutica está para além disso.

Existe uma conexão entre terapeuta e paciente que às vezes é tão intensa que dá quase pra pegar com a mão. Existe uma sinergia, sintomia, harmonia, olho no olho...é como se nossas almas se encontrassem e se abraçassem enquanto estamos ali, cada uma em sua cadeira.

Martim Buber chama de relação Eu-tu. Gestaltistas chamam de campo. Rogers chama de amor incondicional.

Eu chamo de poesia. Os olhos versam, os sentimentos rimam rimas riquíssimas, há estrofes que separam uma reflexão da outra e há aquele desfecho surpreente, confortante e que traz a sensação de ter valido a pena ler todas as palavras daquele intenso poema.

Terapia é poema. Paciente e terapeuta, poetas.

E no caos que eu estava, sem rimas, sem versos melodiados, sem desfecho nenhum previsto; me vi sem saber escrever, ler e viver essa poesia. Achei, fortemente, que não conseguiria mais atender. Eu havia perdindo esse olhar poético para a vida. Só escrevia notícias daquelas bem sensacionalistas e que dá vontade de desligar a televisão.

Já faz um tempo, claro, que voltei a versar, rimar, escrever e melodiar na prática clínica.

E hoje, as mulheres foram poema pra mim. Me trouxeram rimas e versos diferentes dos que eu já vinha lendo e compondo. Me fizeram ler a maternidade como um ATO DE RESISTÊNCIA. Somos todas RESISTENTES, MILITITANTES E ATIVISTAS de um maternar singular, particular, pessoal e individual.

RESISTIMOS! RESISTAM! Sejam as mães que querem e CONSEGUEM ser.

Obrigada a cada mulher e mãe que foi poema pra mim hoje! 🥰



 
 
 

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